sábado, 22 de abril de 2017

A ESPIRITUALIDADE DA VOZ

Técnica e cientificamente não existe espiritualidade na produção da voz humana. Mas, quando comecei a receber em minha sala de aula muitos alunos evangélicos, tive que mudar minha didática para conseguir ajudá-los da melhor forma possível pois é isso que tenho que fazer como professora de canto que trabalha com a técnica do Bel'Canto, ajudar qualquer aluno, e fazer com que qualquer corpo se torne um instrumento musical perfeito.

Não dou importância ao estilo do aluno, mas tento da maneira mais eficaz possível, fazer com ele consiga cantar e usufruir de toda a capacidade de produção sonora de seu corpo, dentro do seu estilo preferido. Não há técnica de canto para canto popular ou canto erudito. A técnica de canto não pertence à algum estilo, mas ela pode ser trabalhada para qualquer estilo que se queira produzir som. A técnica sempre será a mesma, o que vai mudar são os registros vocais usados para se produzir o som necessário para se cantar qualquer estilo musical.

Então, quando esses alunos evangélicos começaram a chegar aos montes para fazer aula comigo, me vi perdida pois vi que só a técnica não estava resolvendo nem ajudando-os. Durante uns seis meses procurei solucionar seus problemas vocais somente usando o Bel'Canto e a Técnica Alexander, mas não funcionou. Não desesperei-me pois sempre acho uma solução. Mas confesso que fiquei apreensiva. E comecei a meditar sobre a voz e o corpo dos meus alunos. procurei encontrar soluções de todas formas.

Um belo dia, enquanto ouvia áudios com a voz de alguns alunos, os que mais estavam com dificuldades, me veio uma ideia louca à cabeça. Eles não eram alunos de canto erudito nem de canto popular, eles eram cantores que cantavam para o louvor de Deus, e suas vozes estavam sem espiritualidade, pois sendo eles todos evangélicos, o maior universo de suas vozes, estava em seus próprios espíritos.

Imediatamente comecei uma pesquisa dentro da Bíblia para encontrar informações escatológicas que me fizessem entender e discernir melhor o que eles precisavam para louvarem a Deus com conhecimento e discernimento do estavam fazendo. O que eles buscavam e precisavam não era só técnica. Mas sim, despertar a espiritualidade de suas vozes. Eles desejavam ter unção, ou seja, poder que emanasse de vozes quando cantassem. Mas, para que esse poder, a unção, fluísse de suas vozes, era necessário despertar seus espíritos, que mesmo sendo religiosos, estavam mortos.

Comecei então a levá-los aterem conhecimento e discernimento de seus próprios espíritos, coisa que nunca havia se quer passado pela minha cabeça que seria possível. Eles entenderam perfeitamente o que deveriam fazer, e entraram junto comigo na busca pela espiritualidade de suas vozes. Com menos de dois meses, todos eles comeram a arrepiar dentro de sala de aula, pois começaram a sentir um poder fluindo de seus espíritos dando mais energia ao seus corpos para produzirem mais som e com uma beleza divina.

A primeira coisa que fiz, foi eliminar toda e qualquer influência sonora, ou seja, imitações de vozes de outros cantores pois os evangélicos e os sertanejos, são os que mais estão distantes de suas próprias vozes, pois não conhecem as nuances de suas próprias vozes, pois também não conhecem seus corpos, e pensam na voz como algo externo e fora da realidade corporal. Por isso, nunca conseguem fazer fluir sua energia espiritual através de suas vozes. Mas, quando eles entenderam que não era a voz nem o corpo, mas sim, o espírito que deveria produzir, no caso deles especificamente, o som para louvarem a Deus, eles entenderam que suas vozes nasciam primeiro em seu espírito, que enviava a ideia do som e a energia necessária para que o corpo produzisse com perfeição o som vocal,  e então, a unção, o poder, fluía de suas vozes como energia elétrica pois estavam emanando a personalidade da voz à partir das realidades espirituais de cada um.

Foi um trabalho lindo que ainda escreverei mais a respeito. Aguardem os próximos posts sobre esse assunto!


segunda-feira, 17 de abril de 2017

O FALSETE

Não acreditem na MC Melody que diz cantar com falsete. Criança não tem falsete, tanto faz ser menino ou menina, são todos sopranos. Mulher não tem falsete. Pois, tudo que produz o corpo de uma mulher de som é registro puro. Homens com dualidade vocal como os barítonos que nascem com o registro de contra tenor, também não possuem falsete, mesmo quando ultrapassam os limites de sua extensão vocal, continuam produzindo um registro vocal e não falsete, mesmo que esse som se assemelhe ao som de um falsete (Agudo e sem dinâmica (poder de aumentar e diminuir o volume do som da voz)).

Um caso raro de dualidade vocal, e também de ausência do falsete, acontece numa exceção de uma regra, quando a dualidade vocal aparece num registro de tenor, que já é raro só por ser o registro mais agudo masculino, e permite a esse tenor, possuir um registro tão raro, que só aparece entre um a cada um bilhão de homens, chamado registro de sopranista. Este registro ultrapassa em quase duas oitava o registro de um soprano feminino, tamanha a capacidade de extensão vocal que esse registro de sopranista possui, e ele também não possui falsete.

O falsete é uma capacidade de produzir um som semelhante ao de uma flauta, com um pouco mais harmônicos brilhantes e metálicos, o que o faz soar mais agudo e brilhante, mas não possui capacidade de domínio do volume do som, e que é produzido por cordas vocais falsas, que são na realidades dois músculos que se assemelham às cordas vocais verdadeiras, que quando tensionadas, conseguem produzir um som extremamente agudo.

O cuidado no uso do falsete é para não se contrair demais  esses músculos pois irritam muito rápido e facilmente. O cantor deve procurar deixar a região superior da laringe, mas gosto de dizer que a região embaixo da língua, pois a sensação de produção do falsete é de contração nessa região, e que deve ser eliminada para uma maior naturalidade no uso do falsete.

O som do falsete é extremamente estridente, mas que com uma boa mudança na impostação desse som, para a região do céu da boca e seios nasais, e não na laringe como costuma-se impostar esse som, ele adquirirá um som mais redondo e volumoso, podendo o cantor explorar então, regiões mais agudas da extensão do falsete.

Outro cuidado que deve-se tomar, é com a articulação quando se estar cantando com o falsete para não se prejudicar a articulação e a dicção do texto, prejudicando assim não só a emissão do falsete como também a compreensão textual por parte do ouvinte. Outro cuidado que deve-se tomar é com o volume dele, pois sendo um falsete um som vocal falso, é quase que um vício não se ter volume e preocupar-se mais com as notas agudas com que com a beleza do som.

Homens com o registro de baixo sempre possuirão o falsete, e barítonos que não possuam a dualidade vocal também sempre possuirão o falsete, como também tenores sem a dualidade vocal sempre terão o falsete. Como o assunto é extenso, escreverei mais a respeito depois em outros textos pois acho que serão necessários uns quatro.









quinta-feira, 6 de abril de 2017

A TRANSSEXUALIDADE DA VOZ

Minha voz sumiu durante um ano quando me descobri transsexual. Fiquei enlouquecida. Imagina o que é para um cantor lírico que estudou durante uns dezesseis anos de sua vida técnica vocal,  perder a voz? Não me matei porque sou narcisista demais  para ter coragem pra fazer isso comigo. Mas entrei em frenesi procurando como resolver meu problema vocal. Apelei primeiro todo tipo de técnica, até mesmo as que não originavam do Bel'Canto, numa tentativa desesperada para recuperar minha voz.

Quando a técnica falou, eu apelei para a macumba mesmo. Fiquei doida de vez porque já estavam se fazendo seis meses que eu não conseguia cantar um único chiado sequer. Quando tentava cantar, minhas cordas vocais doíam tanto, que parecia que estavam arrebentando e alguém estava passando pimenta nelas.

Me isolei de todo mundo durante um ano, não queria que ninguém soubesse que eu estava sem voz, dentro de sala, evitava cantar, e comecei a desenvolver melhor minha comunicação com meus alunos para que não houvesse nenhuma necessidade de eu ter que cantar para demonstrar a produção de qualquer som cantado que fosse.

Fiquei um ano ficando dentro de casa quase todos os dias, pois sempre saio e bebo, adoro cantar para as pessoas, quando elas querem ouvir, claro. E como eu iria cantar sem voz? Por sorte, ainda possuía minha voz falada, e podia falar com meus amigos e alunos. Até que dia resolvi procurar alguém da umbanda para ver se conseguia alguma informação, ou mesmo algum trabalho que pudesse me ajudar a recuperar minha voz cantada.

Assim que chegamos no local onde uma amigo estava levando-me para conversar com uma mulher, que segundo ele, era uma grande mãe de santo, fomos surpreendidos por ela logo no portão, convidando-nos para irmos em outro local porque quem queria falar comigo não era ela, e sim uma entidade, que havia lhe dito para que levasse-me imediatamente para sua casa. Ela parecia-me assustada e pálida com aquela situação.

Eu olhei para meu amigo e apertei sua mão, na época, eu ainda não havia assumido minha espiritualidade, então, não conseguia discernir muita coisa, e também evitava para não me colocar novamente naquele redemoinho de manifestações metafísicas que tinha vivido durante muito tempo desde de criança, e que a muito custo, tinha conseguido me isolar delas, e podido estudar para seguir minha carreira de cantor erudito, na época. Ele simplesmente disse-me para que ficasse tranquila pois a mulher era poderosa espiritualmente.

Quando adentramos na casa da entidade, eu pude sentir que uma energia muito estranha estava ali, ela já pegou-me e rodou-me já abençoando-me como mulher, e dizendo que não tivesse medo porque minha voz iria voltar assim que a mulher em mim se revelasse por completa. Disse-me também que como homem eu nunca cantaria e soltaria a voz que possuo, mas que como mulher eu cantaria com um som monstruoso. E que eu me tornaria mais mulher a cada dia, e que isso iria doer, mas iria transformar a mim e a minha voz.

Ela não me conhecia nem meu amigo passou qualquer informação a ela sobre minha situação. Ele é muito mais desconfiado do que eu. Por isso, dentro de mim, eu sabia exatamente o que significava aquelas palavras. Toda uma personalidade estava morrendo, e com ela sua voz, e outra estava nascendo e com ela estava vindo sua própria voz. De alguma forma aquelas palavras trouxeram alívio ao meu coração. Voltamos para casa felizes por aquilo, e olha que nunca imaginei ir num terreiro para saber alguma coisa sobre minha voz.

A partir dali, eu passei a descansar de mim mesma e de minha voz, e desisti de minha carreira de cantor e parei também de cantar, perdi o encanto e prazer pelo meu canto, e dediquei somente ao ensino da técnica, o que acabou me ajudando a aprofundar-me bastante no conhecimento e domínio da Técnica Alexander e Bel'Canto. Vi o horizonte enorme que estava abrindo-se para mim como professora de canto, e o abracei seu medo ou remorso, por ter aberto mão do sonho que fez me sair das entranhas da mata amazônica.

sábado, 1 de abril de 2017

VOZ DE PEITO OU VOZ DE CABEÇA?

Nenhuma das duas existe. Isso é um conceito errôneo e falso. O que há de verdade, é ressonância de peito e ressonância de cabeça. Essa classificação que muito se ouve falar da voz, é fruto do fato de ela não vir de uma escola de canto, como é o caso do Bel'Canto, que permiti ao cantor experimentar toda a totalidade de sua voz através de regiões de ressonância, ósseas, cartilaginosas e cranianas, o que não classifica a voz como dali ou daqui, mas sim como um funcionamento perfeito do corpo, amplificando o som da voz através de caixas ressonadoras naturais do mesmo, e esse efeito é a  ressonância sonora da voz, o processo pelo qual o cantor faz sua voz soar até o ouvinte.

A ideia de que existe !voz de cabeça e voz de peito", faz com que tenhamos a impressão de que existe duas vozes, o que não é verdade. Aliás, um dos objetivos buscado no treinamento do corpo para o canto, e que também o Bel'Canto se propões a fazer e faz, é eliminar as quebras vocais (falhas que existem entre um registro e outro, ou entre as regiões de passagens  dos registros, ou também, nas regiões de passagens da região médio aguda da voz para a região aguda.), é uma pequena falha no som quase que imperceptível, mas que para nós do Bel"Canto, significa que o cantor não conhece sua personalidade vocal e também não tem noção nenhuma da sensação física de produção da sua voz.

Não perceber a sensação física de produção da voz significa desconhecer sua própria personalidade vocal, o que indica que a atual voz que está sendo produzida pelo cantor é falsa, e com certeza sua impostação vocal está errada, e que talvez o som vocal que esteja soando seja apenas uma imaginação sonora (uma referência de som e melodia que não coadunam com a personalidade vocal verdadeira do cantor), uma cópia de outra voz, de outro cantor ou cantora, e que está distante da realidade fisiológica do próprio corpo, e que por sua vez, impede que o cantor goze de uma produção vocal confortável e bela.

A ressonância de cabeça, erroneamente chamada e conhecida de "voz de cabeça", é quando o som vibra nos ressonadores superiores, ou seja, nas cavidades cranianas, pequenas conchas acústicas existentes nos ossos do crânio, e que são os melhores ressonadores, amplificadores naturais do corpo, e que fazem uma enorme diferença no som vocal quando usados. Mas, seu uso não é tão simples de se alcançar, pois para o som vocal vibrar neles, é necessário que o corpo esteja funcionando perfeitamente, e que sua postura seja perfeita, o que pode ser alcançado com a técnica Alexander, que é a que corrigirá todo e qualquer problema de postura, os piores inimigos de um belo som.

A ressonância de peito, vulgarmente conhecida como "voz de peito", é quando o som vocal é amplificado pelo osso do peito, principalmente o externo, o osso do meio do peito, que por sua vez, é a mais potente caixa de amplificação da voz, e a única que pode valorizar e amplificar notas tão graves, que permitem a ressonância e amplificação de harmônicos sonoros da voz, que facilitarão a produção de notas agudas, que a medida que o cantor alcançar notas cada vez mais graves, mais ele produzirá notas agudas com muita facilidade e sem sofrimento, porque esses harmônicos produzirão sensações físicas de ressonância no momento da produção vocal, que facilitarão a impostação de notas agudas nessa mesma região de ressonância, permitindo ao cantor explorar sem agredir seu aparelho, a totalidade de sua extensão vocal.

Essas duas regiões de ressonância devem ser unidas durante a produção da voz, ou seja, não deve haver quebra no som da voz, as famosas falhas, que acontecem quando o cantor não domina a técnica da impostação vocal, pois o domínio dela dá ao cantor a capacidade de sair de uma região de ressonância para outra, no caso aqui tratado, seio frontal e osso externo do peito, sem deixar a voz quebrar, sem deixar a voz falhar quando mudar de ressonador. Isso só é possível desenvolvendo-se a percepção por parte do lado analítico do cérebro, da sensação que acontece no corpo do cantor, quando ele mudar de região de ressonância, isso também é uma mudança na impostação da voz, técnica usada para se conseguir diferentes nuances no timbre e som da voz.

Todo bom cantor que se preze, vela por uma mudança de impostação sem quebra nenhuma na voz. Pois não só é feio esteticamente como também é indicação de que ele não possui técnica ou foi mal treinado. Pois quando o cantor consegue dominar e conhecer seu corpo, principalmente durante a produção da voz, obviamente conduzirá bem o funcionamento do seu corpo quando for movimentar-se para mudar a impostação da voz, ou seja, mudar sua região de ressonância, fazendo com que a voz passe de uma para outra sem mudar seu som ou característica no seu timbre. Mas, quando se consegue fazer e não fazer algo com o corpo para produzir a voz, tem-se técnica, e isso lhe dá poder para quebrar ou não a voz, nasalizar ou não a voz, isso é canto.

quinta-feira, 30 de março de 2017

AULA DE CANTO POR WHATSAPP?

Sim. Isso mesmo. Testei durante um ano com dez alunos que selecionei a partir de contato feito através do meu blog, onde disponibilizei meu whatsapp, para que leitores que entrassem em contato comigo por esse aplicativo, pudessem ser auxiliados por mim via áudio e escrita, na tentativa de ajudar-lhes com o desenvolvimento de suas vozes de cantores. Dos dez, somente quatro mostraram-se dignos depois de quatro meses, a um novo contato de minha parte, para continuarmos o trabalho, agora com mais minuciosidade.

Os resultados apareceram quase que instantaneamente, mesmo todas as dicas tendo sido passadas por áudio, esses quatro alunos conseguiram transformar todas as informações sonoras em sensações físicas, tornando possível experimentarem uma boa produção sonora somente ouvindo meus áudios e treinando cada um em seu próprio estado. Seis meses depois, eles já estavam com vozes completamente diferentes e com uma satisfação enorme com suas novas vozes.

Escolhi alunos com dificuldades bem diferentes e complicadas de resolver, já havia treinado cantores com esse tipo de problema vocal, mas nunca por whatsapp e sem estar perto para analisar o funcionamento corporal de cada um. Escolhi alunos de estilos bem variados pois gosto de  desafios e experiências novas. Eles também por sua vez, foram empenhados e até mesmo humildes pois mesmo por áudio também sou as vezes incisiva e rígida.

Selecionei uma menina com infantilidade e muita soprosidade vocal, um outro rapaz com um timbre raro com um drive lindíssimo, um outro rapaz com muita nasalidade e bruxismo, e um outro cantor de sertanejo, pois adoro as novas músicas desse estilo. Com apenas oito meses, eles já estavam me mandando áudios que até hoje ouço quando quero ouvir uma música boa cantada por uma linda voz. Claro, eles ainda estão muito inseguros, mas já descobriram que possuem vozes poderosas.

Claro que estou falando mais especificamente da voz e não do corpo, pois por áudio fica difícil analisar o corpo a partir do som emitido pelo mesmo, pois é assim que analiso para treiná-los. Então, começarei a fazer vídeos mostrando os exercícios físicos que os ajudaram a desenvolver melhor seus corpos, e a gozarem de uma produção sonora mais confortável e saudável.

Completamente ciente da eficiência da técnica, mesmo sendo passada de forma auditiva, mostrou-se eficaz da mesma forma que sempre vi ser dentro de sala de aula. Por isso, somente agora decidi escrever sobre essa experiência e divulgar essa nova forma de aula por whatsapp.

Tenho usado principalmente o som da voz de cada um para analisar sua impostação, entonação, usando como material de análise a estrutura sonora para conseguir perceber que problemas de funcionamento físico estão produzindo determinados efeitos sonoros na hora da produção vocal, principalmente para a voz cantada. Isso tem funcionado muitíssimo bem, mesmo com certa dificuldade. Claro que leva um pouco mais de tempo, mas quando eles entendem que a voz é corporal antes de ser sonora, fica rápido e fácil  conduzi-los à uma experiência de produção vocal muito satisfatória.

Mas informações pelo whatsapp 031 97302-9172

terça-feira, 21 de março de 2017

ANÁLISE DA VOZ - Maiara e Maraisa (Medo Bobo)


Quero deixar claro, que também adoro essa música. Mas sempre me incomodo quando ela inicia, pois parece que a cantora está com dor de dente, ou então, com algum tipo de cólica abdominal. Porque ela canta quase que rangendo o dente, deve ser para poder dá mais volume à sua voz, mas que não acontece, pois sua voz perde o brilho e volume no grave, que é exatamente a região que ela inicia a música, e onde percebe-se claramente que Maiara ou Maraisa, não abrem a boca para cantar, e ficam com aquela vocais e articulação de quem chupou limão e não gostou.

Isso é tão irritante, que chego a ter dor nos dentes também. Esse vício de cantar rangendo os dentes parece ter se tornado comum entre os cantores, principalmente os sertanejos, antes só os homens, agora até as mulheres estão pegando e praticando esse erro de impostação e dicção, que acaba anazalando muito o som e roubando seu volume. Quando se vai para o som grave, a primeira coisa que se deve fazer, é levantar-se um pouco a cabeça, até aquela altura do olhar no horizonte. É preciso também se produzir mais energia e aumentar-se o fluxo de ar que passa pelas cordas vocais, aumentando-se também o nível de energia no músculo do diafragma.

Quando se quer produzir um grave com beleza e sonoridade, características exigidas para se produzir um bom som grave, é necessário produzi-lo com muito mais ar com que um agudo. Então, quanto mais volume se quer dar ao sons graves, é necessário produzi-lo com muito mais ar, e quanto mais grave, mais energia e ar devem ser produzidos. Pois, precisa-se de muito mais ar para se produzir um agudo do que para se produzir um grave. Isso, é o oposto do que fazem os cantores, que têm a mania de produzir sons agudos com muito ar, o que acaba forçando a musculatura da laringe, e esganiçando o som, e quando produzem um som grave, tendem a produzi-lo com pouco ar, o que faz com que as cordas vocais não vibrem tanto quando o fluxo de ar passa por elas.

Apesar do timbre vocal, não sei se da Maiara ou da Maraisa, ser bonito, pelo vício de articular e diccionar com a boca quase que fechada, ela acaba esganiçando o som das notas agudas, e tanto sua extensão para o agudo fica prejudicada, como também, seu conforto vocal, pois vendo alguns shows ao vivo, percebi que ela fica rouca com facilidade. Isso também acontece porque elas usam muito drive para cantar, o que quando bem usado, fica até bonito, mas no caso delas, é quase que a todo momento, o torna-se cansativo para os ouvidos e muito desgastante para as cordas vocais, provocando principalmente rouquidão.

Sua articulação é muito lenta, o que quando é necessário produzir uma nota aguda com som de vogal, ela nunca consegue abrir a nota afinada, e tem sempre a necessidade produzir um glissando  ascendente para conseguir chegar na nota, e também debilita os próximos sons a serem produzidos, o que é provocado pela má articulação, que por fim, debilita a dicção. Outro erro vocal que provoca isso é hiper contração nas mandíbulas, pois dificulta e diminui a velocidade da articulação (tamanho da forma (boca) que se usa e é necessário para uma boa produção dos fonemas.).

Sua articulação na região aguda é muito ruim, o que faz com que não consiga repetir as mesmas notas agudas durante muito tempo, mais que agora é moda no sertanejo, cantar frase rápidas e com muitas palavras, o que dificulta a afinação e a produção do texto, de forma que é sempre necessário eles pararem de cantar no meio das frases longas, e deixarem somente o público cantar suas músicas.  É claro e nítido o cansaço vocal dessa dupla. Mas parece que isso está acontecendo com todos os cantores de sertanejos, que se exaurem tentando cantar rápido e agudo, o que necessita de uma exagerada articulação e rápida, para que tanto os fonemas quanto as notas, sejam produzidas com qualidade beleza sonora.

Outra coisa que está errada, é fato dela produzir vogais de sons abertos com sons fechados, o que dá a impressão de que ela está cantando com um ovo quente na boca, pois suas vogais ficam com o som abafado e opaco, e em alguns, completamente incompreensíveis. Mas isso também é produzido pela má articulação, e um pouco por impostação e dicção erradas, e acaba dificultando a compreensão das palavras do texto.


sábado, 18 de março de 2017

ANÁLISE DA VOZ -Marília Mendonça (Sentimento Louco)


Sempre gostei do timbre de Marília Mendonça. Gostaria de estar analisando a música ( Infiel), mas devido minha tietagem por essa música especificamente, preferi esperar por uma outra, para que minha análise não fosse influenciada por meu emocional. Difícil de acontecer, mas sempre se tem uma primeira vez. Por isso, decidi analisar a música (Sentimento Louco).

 A primeira parte da estrofe, a parte que inicia a música, ela consegue produzir um som muito bonito, com uma sonoridade aveludada e com um certo drive, quase que natural, e que também se deve há uma certa soprosidade (excesso de ar no som, que soa como um chiado.), mas que também não apresenta nenhum perigo, quando se percebe e controla-se, o que é conseguido através de um trabalho minucioso da respiração controlada, a que é aprendida e treinada pelo corpo.

Mas quando ela desce para o grave, abaixa a cabeça, na tentativa de produzir mais volume em seu som mais grave, e isso faz que sua laringe contraia-se, e o som acaba ficando abafado e opaco, e perde quase oitenta por cento de seu brilho e sonoridade. Na realidade, ela deveria cantar o grave com o mesmo som vocal que inicia a estrofe da música. Esse é vício muito comum entre os cantores, abaixar a cabeça e contrair a glote e a laringe, o que provocará  sons graves sem volumes e fracos, e sons agudos estridentes e esganiçados.

Como ela tem os dentes superiores mais proeminentes que os inferiores, seu céu da boca, uma das melhores caixas de ressonância (processo de amplificação do som vocal através de ossos, cartilagens e cavidades cranianas), é completamente afunilado, o que a possibilita produzir sons agudos com beleza sonora magnífica, mas também a faz ter uma grande e excessiva ressonância de sua voz nos seios nasais, o que lhe dá uma grande nasalidade, principalmente nas regiões agudas de sua voz. O que na primeira vez que se ouve sua voz, soa interessante, mas depois que se ouve outras músicas, percebe-se que esse efeito em sua voz, repete-se a todo momento que ela tem que ir com a melodia para notas mais agudas.

Outro problema que essa nasalidade provoca, é o vício de se repetir a mesma melodia em todas as músicas, pois quando não se tem consciência da sensação física durante a produção sonora, a voz que se pensa ter, é só uma referência melódica e sonora de um som, que não é o som da realidade física do corpo, daí a repetição irritante de uma mesma melodia vocal em todas as músicas. Isso significa que a performance do cantor se torna pobre e repetitiva. Sua linha de canto (a melodia peculiar que um cantor executa em sua interpretação), fica presa à uma referência de melodia e sonoridade vocal, e quase nunca é a verdadeira voz do cantor.

A voz de Marília Mendonça também está com a sua extensão vocal (limite do alcance da voz para o grave e agudo), prejudicada. Pois sua voz não ultrapassa mais determinadas notas agudas, o que é provocado porque sua impostação da voz está soando muito nessas regiões de ressonância que produzem sons anasalados e limitam o alcance vocal, principalmente nas regiões agudas da voz, tornando-a esganiçada e estridente, som que não é nada agradável para os ouvidos.

Sua articulação lenta e retarda na produção dos fonemas também prejudica a produção dos sons das vogais, e torna sua voz cansativa, isso faz sua voz soar como se estivesse sempre atrasada em relação ao tempo da música e rouba beleza de sua voz ao longo de uma frase longa, e quando é preciso produzir sons longos e frases com menos sons,  acabam parecendo mais longos do que realmente deveriam ser. Essa dificuldade em sua articulação também é decorrente de um acúmulo de contração em sua mandíbula, o pode indicar um bruxismo ou uma pré disposição para tê-lo.

Tudo o foi analisado e diagnosticado pode ser facilmente corrigido com técnica Alexander e o Bel'Canto.




Quem sou eu

Minha foto

Nasci em Parintins no Amazonas. Vivi no meio da mata onde enfrentei todos os perigos que pessoas  da cidade nem imaginam que existe. Aprendi tarrafiar. Pescar piranha preta e vermelha. Vi meu cachorro ser despedaçado em três pedaços por um tamanduá bandeira de três metros de altura. Cacei veado vermelho e roxo. Tirei jacaré açú da malhadeira. Arranquei tatu do buraco. Arranquei mandioca grande da terra sem quebrar. Cacei cutia. Paca. Comi macaco prego. Onça. Quati. Porco espinho. Fiquei encurralada por um bando de queixada. Comi papagaio em tempo de fome. Peguei juruti na arapuca feita de pau. Tomei água de cipó d'água. Apanhei com pedaço de lenha do fogão de barro. Roubei ovo de inambú açú. Peguei mauari na malhadeira de mica. Mergulhão. Garça branca e morena. Andei sobre o matupá. Vi anhingal andar no rio. Fugi de caba tatu. Levei ferrada de caba de igreja. Fui mordida por piranha vermelha que levou um pedaço do meu dedo. Consegui fugir e me tornar uma das melhores professoras de canto do país. E outras coisas que só caboclo sabe...

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